quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Quebrada de Humahuaca e Paso de Jama

Como vocês podem observar, o primeiro grupo de viajantes não é muito pontual com os relatos. Talvez essa demora é que explique termos saído antes na viagem.

Apresentamos agora um pequeno resumo do que vimos no trecho seguinte a Salta.



Aqui nesta parte da Argentina, os vales são chamados de "Quebradas", as quais normalmente mantêm os nomes dados pelos índios. Não vamos lembrar os nomes de todas, mas a mais impressionante, sem dúvida alguma, é a Quebrada de Humahuaca, seja pela grandiosidade das montanhas que a emolduram ou seja pela variedade de cores e texturas de seus costados.




Desviamos um pouco a rota para entrar em outra "quebrada" e visitar a cidade chamada Tilcara, que recebeu o nome dos índios que ali viviam. Nosso objetivo era ver as ruínas da população que ali viveu antes mesmo dos incas. As ruínas deste tipo são chamadas de "Pucará". Assim, saímos em busca da Pucará de Tilcara, percorrendo até mesmo alguns trechos em rípio.


Infelizmente, o parque arqueológico estava fechado por causa do feriado...


Mas conseguimos, de fora, tirar algumas fotos das ruínas e da vegetação.


No caminho de volta, algumas fotos de um fenômeno natural muito conhecido pelos motociclistas e viajantes destas paragens: a "paleta del pintor"; uma enorma face multicolorida de uma montanha que se pode ver da estrada.



De volta ao nosso caminho, e mais adiante um pouco, chegamos à cidade de Purmamarca, aconchegante e sofisticada, com seu "Cerro de los 7 colores", que mereceu o registro fotográfico e a promessa de um breve retorno.


Como o trecho era relativamente curto, não estávamos preocupados com o tempo, o que permitiu várias paradas durante a longa subida na direção dos altiplanos e dos Andes. As estradas em caracóis são sempre emocionantes.


No topo, parada para a clássica foto no marco do 4170 metros de altitude, com direito à sensação de cansaço e da falta de fôlego.

Depois de vencermos as primeiras cadeias de montanhas, ou a pré-cordilheira como se diz por aqui, começamos a descer para o altiplano existente entre as cordilheiras, sempre em estradas estonteantes.

Até que vislumbramos o nosso primeiro salar; não nos esqueçamos que isso tudo aqui no alto era fundo de mar... quando a água secou, ficou o sal...

Ai surgiram as vicunhas, presença constante em toda a viagem pelo altiplano...

Os trabalhadore do sal, na tarefa extrativista ou na produção de artesanato, cobertos totalmente, tentando evitar queimaduras que o reflexo do sol na superfície branca de sal pode causar à pele. Não se podia ver rostos e sorrisos... e os olhos não deixavam transparecer se eram felizes ou não, como se transformados em estátuas sem vida, feitas do próprio sal com o qual trabalham.

A despeito da dureza da vida daquelas pessoas, havia ali uma movimentação muito grande no setor de extração do sal, com máquinas, caminhões, tratores e trabalhadores em grande circulação, o que amenizou um pouco as coisas e nos permitiu aproveitar o êxito da nossa chegada às "Salinas Grandes"

A casa comercial no meio das salinas também era inteiramente feita de sal.
Em seguida, a desolação do deserto e o grande contraste entre a terra e o céu.
Chegamos, finalmente, na última cidade do lado argentino, chamada Susquez, onde abastecemos com uma gasolina péssima e, descuidadamente, almoçamos por volta das 15/16 horas, esquecendo da pequena mas perigosa travessia que teríamos que fazer ainda com dia claro.
Durante o almoço recebemos a primeira advertência de um casal de chilenos que viajava de moto para Purmamarca: a temperatura no Paso de Jama era de 4 graus centígrados...

Ainda despreocupados, pois estávamos com nossas roupas de frio, continuamos o caminho até a fronteira, passando por paisagens e estradas que se confundiam entre si, não nos permitindo saber, afinal, qual a maior atração sensorial desse tipo de passeio.




Resolvidos os trâmites na aduana Argentina, outra recomendação nos deu um motociclista argentino, casado com uma brasileira, acerca do frio. Partimos em direção á fronteira, que ficava a poucos quilômetros dali e entramos no Chile, sabendo que a aduana chilena ficava depois do Paso de Jama, uns 180 km depois de onde estávamos.

O visual é extraordinário...

A foto do poente foi tirada bem depois das 18 horas, quando o frio já nos alcançava os ossos, intensificado pelos fortes ventos da região.

À medida em que o sol se punha, o frito ficava cada vez mais intenso. A velocidade da moto teve que ser reduzida para amenizar um pouco a sensação térmica, mas nos deparamos, em silêncio, com o dilema da demora na travessia do Paso de Jama e do medo do cair da noite...

Antes mesmo do sol se por, o nosso medo se transformou em terror. É que em alguns trechos da travessia a estrada cortava a planície do lado banhado pelo sol para o lado já coberto pela escuridão, quando percebíamos a queda drástica da temperatura. Se o sol desaparecesse por completo teríamos sérios problemas. Assim, naturalmente, sem qualquer combinação, aumentamos a velocidade das motos até o máximo suportável, algo em torno de 80/90 km/h, e corremos contra o tempo. Em alguns momentos pensamos em parar nos trechos mais baixos da estrada, quando a mesma cortava o terreno como numa vala, onde, por instantes, a elevação lateral nos protegia do vento e do frio. Não foi mais possível tirar fotografias, as mãos e os pés estavam com a sensação de congelamento. RobTadeu alternava as mãos entre os cilindros quentes do motor de sua moto para suportar o frio. Na última e mais fria subida, já totalmente no escuro, com a moto engasgando por causa do péssímo combustível de Susquez, chegamos a 4800 metros de altitude, já sabendo que o sol tinha encerrado o dia, às 2o:30 horas. Do outro lado da última elevação, no entanto, vimos novamente o final do poente e uma imensa baixada que depois soubemos ser o Salar do Atacama. A temperatura começou a subir enquanto descíamos os vários quilômetros da estrada construída em terreno vulcânico...

Ao lado, ainda recebendo o lusco-fusco do final daquela longa tarde, por volta das 21 horas, repousava o vulcão Licancabur, cuja imagem imponente nos acompanharia por todos os dias em San Pedro de Atacama.

Noite cerrada, chegamos a San Pedro e à aduana chilena, instalada confortavelmente em edifício aquecido dentro da cidade. Nem sabemos bem qual foi a primeira reação de cada um, mas certamente estávamos perplexos com a situação pela qual havíamos passado. Aflitos e cansados, resolvemos os trâmites de nossa entrada no Chile e das motos, e seguimos à procura do hotel, sem termos condições, pela confusão mental e pela escuridão, de perceber as peculiaridades desta cidade-oásis no meio do deserto. Só que isso depende de uma próxima conversa...

5 comentários:

  1. Quando passamos por lá fui o chato que ficava monitorando o horário... a região é tão linda que da vontade de parar a todo momento.
    Agora vcs tem mais uma aventura para incorporar as histórias dos "Motociclistas loucamente apaixonados por este multifacetado continente".

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  2. Fotos maravilhosas!
    E o relato do Zé super inspirado, parabéns!

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  3. que legal! adorei as fotos! continuem aproveitando!

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  4. Que aperto em rapazes!!!
    E que fotos são estas!!!
    Bravo !!!

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